Informação

Este blog tem a modesta pretensão de divulgar somente orações CATÓLICAS, conforme a Santa Tradição da Igreja. Pedimos a caridade de nos informar eventual erro de digitação e/ou tradução, ou link quebrado (vejam o formulário no menu lateral). Gratos.

Pedido

"Aproveitemos o tempo para santificação nossa e dos nossos parentes e amigos. Solicitam orações, que estaremos rezando juntos, em união de orações aos Sagrados Corações."

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"Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém."

domingo, 30 de junho de 2013

Mês do Sagrado Coração de Jesus – DIA 30




 

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

(7 anos e 7 quarentenas de indulgência cada dia e uma in­dulgência plenária no fim.)

ORDEM DO EXERCÍCIO COTIDIANO


Invocação do Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor.

V. — Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. — E renovareis a face da terra.

ORAÇÃO
Deus, que esclarecestes os corações de vossos fieis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos, por esse mesmo Espírito, co­nhecer e amar o bem e gozar sempre de suas divinas consolações. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração preparatória
(100 dias de indulgência — Leão XIII, indulto de 10 de dezembro de 1885).
 
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à di­vina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos sé­culos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afe­tos e desejos, todas as minhas obras e pa­lavras. Amém.

Lê-se a intenção própria do dia, recitando em sua con­formidade um Pai Nosso, Ave Maria e Glória, e a jaculatória: Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais.

Em seguida, a Meditação correspondente ao dia e, depois, a Ladainha do Sagrado Coração.


 
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO
 Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende pie­dade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espirito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de ca­ridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as vir­tudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a ple­nitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda a conso­lação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.

ORAÇÃO
Onipotente e sempiterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

Para concluir, a seguinte fórmula de consagração 
 
Recebei, Senhor, minha liberdade in­teira. Aceitai a memória, a inteligência e a vontade do vosso servo. Tudo o que tenho ou possuo, vós mo concedestes, e eu vo-lo restituo e entrego inteiramente à vossa von­tade para que o empregueis. Dai-me só vosso amor e vossa graça, e serei bastante rico e nada mais vos solicitarei.

(300 dias de indulgência. Leão XIII, Decreto de 28 de maio de 1887).

Doce Coração de Jesus, sede meu amor.
(300 dias — Pio IX).

Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
(300 dias — Pio IX).
 

MEDITAÇÕES

 

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— IV —

Os consoladores do Coração de Jesus
 
 
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TRIGÉSIMO DIA


Oremos na intenção de saber agradecer a Deus as graças que nos há concedido. Pai Nosso, Ave Maria, Glória e a jaculatória: “Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais”.
Os consoladores do Sagrado Coração de Jesus
somos nós que viemos, durante este mês, 
meditar nos seus terníssimos afetos e estudar os seus desejos

Todos estes dias foi Jesus consolado, vendo que fomos constantes, que todas as manhãs o procurávamos fervorosos; mas, ainda quer de nós alguma coisa. O mês con­sagrado ao seu Coração termina hoje; quan­tas almas devotas porão de parte as suas práticas, as suas costumadas orações e es­quecerão a consolação que experimen­tam!… Jesus pede que não nos esqueçamos do seu Sagrado Coração, e quer que esta manhã lho prometamos.

“Farei um ato de consagração ao Coração de Jesus”.

EXEMPLO

Lê-se no livro — O Sagrado Coração de Jesus, — do Pe. Júlio Chevalier, editado em 1886: “Miguel dos Santos, Religioso Trinitário, desde a sua infância, dera-se tão perfeitamente a Deus, que este era tudo para ele, e ele era todo de seu muito Amado. Mas, como o amor nunca diz “basta” — parecia-lhe que ele não amava bem a seu Deus, e todos os seus desejos eram amá-lo cada vez mais. Um dia, fazendo oração nesta ha­bitual disposição de espírito pouco satisfeito da medida do seu amor a Deus, pediu a Nosso Senhor Jesus Cristo que lhe mudasse o coração e lhe desse outro “mais tenro e mais sensível” aos atrativos do amor divino. Esta súplica amorosa foi tão agradável a Nosso Senhor, tão favoravelmente acolhida e generosamente despa­chada, que nem imaginar poderia o suplicante o sinal de amizade que seu divino Senhor lhe ia dar. Jesus tirou o “coração” do seu querido Miguel, e no lugar desse “coração” que tomou e escondeu no peito, pôs o seu próprio Coração, deixando esse fiel servo tão feliz, tão rico” pela incomparável troca, e tão abrasado de amor, que impossível é descrever. Este favor admirável, Miguel mesmo o comunicou a seu confessor, o sábio e virtuoso Fr. Francisco da Madre de Deus, que o ates­tou sob juramento; e Deus o fez conhecer ainda por outro modo. Mas dir-se-á: como viver quando o co­ração é tirado ou substituído? Impossível. —Respon­deremos: Na ordem contingente, nada há de necessário. Deus poderia bem ter organizado o homem sem lhe fazer um coração. Porque lhe não poderia manter a vida, depois de lhe ter retirado uma víscera principal? Seria isso evidentemente uma derrogação às leis atuais e ordinárias de nosso organismo, porém essa derro­gação não constitui uma impossibilidade absoluta, ela tem um nome na Igreja católica: chama-se um mila­gre. Deus que tirou do nada sua criatura para lhe dar o ser e a sua primeira forma, bem pode refazê-la ou modificá-la a seu agrado. Quem ousaria pôr limites ao seu poder? Surge, porém, dificuldade mais séria: como explicar que o Coração do Salvador possa, sem cessar de lhe pertencer, tornar-se o coração de outro, e até de muitos a um tempo? Aí o mistério. Uns explicam-no, dizendo que Jesus Cristo nestas circunstâncias dá seu Coração do mesmo modo que dá seu Corpo na Santa Comunhão, e que então se faz uma comunicação especial, semelhante a que se faz na Sagrada Eucaristia. Outros interpretam assim: “Jesus Cristo faz à feliz criatura que ele assim despoja e enriquece, um duplo dom: à sua alma, o de disposições e sentimentos que refletem as afeições intimas de sua alma divina; e ao corpo, o de um coração em harmonia com o estado anterior, como se seu Coração Sagrado se harmonizasse com os impulsos de sua alma”. O Papa Benedito XV adotou essa explicação quando proclamou venerável Miguel dos Santos: “A troca do Coração de Jesus pelo do seu servo fiel, disse ele, foi mística e espiritual”.


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CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS


Sim, Jesus, eu vos prometo recitar, to­dos os dias, uma oração ao vosso Sagrado Coração; prometo-vos venerar as piedosas imagens que o representarem à minha devo­ção; prometo-vos espalhar o conhecimento desta devoção e propagá-la.

Sede a minha fortaleza, a minha ale­gria, a minha felicidade!

“Farei um ato de consagração ao Coração de Jesus”.

Ao Coração adorável de Jesus dou e consagro o meu corpo e a minha alma, a mi­nha vida, os meus pensamentos, palavras, ações, dores e sofrimentos. Não me torna­rei a servir de parte alguma do meu ser, que não seja para o amar, honrar e glorificar.

Tomo-vos, pois, ó divino Coração, por objeto do meu amor, protetor da minha vida, âncora da minha salvação, remédio das minhas inconstâncias, reparador dos meus defeitos, e seguro asilo na hora da morte.

Ó Coração cheio de bondade, sede a minha justificação para com Deus, e apartai de mim a sua justa cólera.

Ponho em vós toda a minha confiança, porquanto receio tudo de minha fraqueza, como tudo espero de vossa bondade. Ani­quilai em mim tudo o que vos possa desa­gradar e resistir; imprimi-vos em meu coração, como um selo sagrado, para que jamais me possa esquecer de vós, e de vós ser se­parado. Isto vos peço por vossa infinita bon­dade: que o meu nome se inscreva em vós, que sois o livro da vida, e que façais de mim uma vítima consagrada inteiramente à vossa glória; que desde este momento seja eu abrasado e um dia inteiramente consumido pelas chamas do vosso amor; nisto consiste a minha dita, não tendo outra ambição se­não a de morrer em vós e por vós.

Assim seja.


 

DIA 30

O luminoso cortejo que no decurso deste mês temos visto desfilar em honra ao Sagrado Coração, fecha hoje com o vulto de um egrégio brasileiro: D. Vital, bispo de Olinda. Um traço da sua infância revelava já, como que em gérmen, a vocação religiosa que mais tarde lhe encheria nobremente a vida: morando perto da igreja, seus pais vinham achá-lo muitas vezes ali, a ouvir a Missa, ou rezando muito devotamente. No colégio de Benfica onde fez os estudos secundários, como escreve o seu professor de latinidade, captou depressa a estima e apreço de mestres e alunos, e ocupava sempre nas aulas o primeiro lugar. Depois entrando para o Seminário, tanto se recomendou por seu talento e piedade que o Prelado lhe fa­cultou em prêmio o ir acabar seus estudos em Paris, no seminário de S. Sulpício. Aí sustentou brilhantemente as teses finais de filosofia, e, como informa um companheiro, superiores e iguais o viam sempre cingido ao regulamento, e, se por acaso incorria na me­nor falta, a reparação era pronta. Mas, na grande capital francesa em que tantas vezes se desvaneceram aspirações piedosas, no afamado instituto eclesiástico em que se for­mavam os combates para os primeiros postos da milícia católica, Vital só teve uma ambição: professar numa Ordem religiosa, pobre e humilde. Recolheu-se para isso em 1863 ao convento dos capuchinhos em Versailles, onde fez o noviciado, indo depois para o de Toulouse, que era a sede dos es­tudos na Ordem. “Parecia deliciar-se nas privações que o cercavam”, relata um visi­tante (o Pe. Dr. Barroso). E, falando so­bre a sua próxima profissão, dizia: “Ora muito por mim, a fim de que Jesus faça deste seu indigno servo um perfeito religioso, um verdadeiro filho do Serafim chagado de Assis”. Em 1868, ordenado presbítero, ele era logo chamado para o seminário de S. Paulo no Brasil, que estava sob a direção dos Religiosos capuchinhos; e lhe foi ali con­fiada a cátedra de filosofia, que regeu com toda a proficiência. Porém a muito mais alta missão destinava a Providência o exem­plar sacerdote que sob o rude burel, quisera furtar-se às honras e dignidade. Em 1871 surpreendeu-o, em seu retiro, a nomeação para bispo de Olinda, e não houve escusas que o livrassem. A 24 de maio de 1872, do sólio de sua catedral saudava o rebanho e desejava-lhe a paz, “não a paz fementida e efêmera do mundo, comparável à vaga do oceano que expira aos pés do homem sem poder atingir a sua parte superior e divina, mas a paz de Deus, que se baseia no cum­primento do dever, no testemunho da cons­ciência pura, e que acompanha o cristão até a eternidade”. Mas a paz que aí então rei­nava era, em grande parte, a da confusão e indiferença religiosa, a de um culto que se satisfazia de meras exterioridades e bania o essencial; a paz de uma aliança enganadora e funesta em que as lojas maçônicas se en­chiam com o seu pessoal, e com a sua ímpia orientação desvirtuavam os sodalícios ca­tólicos. D. Vital viu, constrangido, o pe­rigo crescente, não poupou meios brandos e suasórios para sustar o mal; o inimigo, po­rém, respondeu, atacando pela sua imprensa os dogmas de fé e a pureza da SS. Virgem, pretendendo comemorar a fundação de lojas com solenidades na igreja, e fazendo-se eleger presidente de uma confraria que tinha sua sede próxima do palácio do Bispo um chefe da seita que em seu jornal blasfemava das coisas sagradas. Lançado então o interdito sobre as Irmandades refratárias, exasperou-se o ódio sectário, e o Bispo foi preso e arrastado à barra do Supremo Tri­bunal. Do Episcopado, das Câmaras, da imprensa jurídica, de todas as classes sociais, levantavam-se protestos; mas ao leme da nau do Estado se achava o Grão-Mestre do Oriente, e a condenação se fez, contra o voto de um só dos juízes. D. Vital, quando lhe apresentaram o libelo para dizer em sua defesa, escreveu somente as palavras do Evangelho sobre o interrogatório de Cristo no tribunal de Caifás: “Jesus se calava: “Jesus autem tacebat”. Devotíssimo do Sagrado Coração, fora ele quem primeiro ha­via divulgado no Brasil, por uma tradução sua no vernáculo, um livro de exercícios do mês dedicado a esse culto; ao Coração de Jesus, por uma pastoral expedida aos 12 de junho de 1874, da fortaleza em que o pren­deram, antecipando-se a consagração universal decretada por Pio IX, consagrou ele a sua diocese dizendo: “Entremos por aquela porta da vida, que no lado do nosso adorável Salvador foi aberta de par em par dessa fonte perene de todas as graças; per­maneçamos nesse paraíso de delícias inefá­veis, até o nosso último alento”. Mudando a situação política, o novo governo, em setem­bro de 1875, anistiou os eclesiásticos envol­vidos no conflito religioso, e D. Vital, desde que lhe foi restituída a liberdade, quis ver a Pedro, quis ouvir o Vigário de Jesus Cristo, que o acolheu com toda a confiança e o cumulou de atenções; no aniversário da sua prisão em Olinda, ele celebrava o santo Sacrifício no Cárcere Mamertino. A 6 de outubro seguinte D. Vital voltava à sua diocese, e do púlpito da igreja de São Pedro, falava assim ao amado rebanho: “Ben­dito seja Deus, desencadeando a procela; bendito seja Deus trazendo-nos a bonança! Conseguiu a mão da violência, arran­cando o Pai do seio da família, atirá-lo para bem longe; mas não logrou que ele a es­quecesse um momento sequer. Lá mesmo na solidão do cárcere fostes o objeto contínuo das nossas vigílias, a imagem constante dos nossos sonhos. E quem, senão essa mesma pastoral solicitude nos impeliu a atravessar o Atlântico, em demanda da Cadeira Apos­tólica, centro da unidade? Pela segurança do rebanho cometido à nossa vigilância, não cessaremos de propugnar um só instante. Venha de novo o cárcere com todas as suas provações: já o conhecemos. Venha o desterro; empunhando o bastão de pere­grino, tomaremos o caminho do exílio. Ve­nha a própria morte violenta ou traiçoeira: nada de tudo isto, saiba a impiedade, nos há de acobardar o ânimo. Sim, venha a morte por amor do rebanho estremecido; venha essa morte tão bela! A cruz no peito, Jesus nos lábios, os olhos no céu, recebê-la-emos radiante de prazer. Serás, ó morte gloriosa, o nosso maior triunfo”. Em 1877 o ínclito bispo veio ainda ao Rio de Janeiro, de onde partiu com uma romaria brasileira, para a França, visitando nessa ocasião al­guns dos grandes santuários desse país e da Itália. Em todas as suas viagens hospedava-se nos conventos de sua Ordem, onde havia, e aí desaparecia logo à entrada o bispo, fi­cando só o humilde capuchinho: de uma testemunha ocular, digna de todo o crédito, soube-se que “às sextas-feiras, e em algumas semanas mais vezes, sobretudo se ocorria festa Solene de Nossa Senhora, servia à mesa, ia à cozinha lavar a louça, varria o refei­tório, e empregava-se nos misteres os mais humildes” e “foi surpreendido muitas vezes sozinho, descalço, em tempo de intenso frio, a praticar a devoção da “Via-crucis” no claustro do convento. E tão contente se sentia então, que muitas vezes disse a um sacerdote seu amigo: “Que boa e santa vida! Quem me dera morrer por aqui entre meus irmãos!” Sofrimentos que lhe mi­navam o forte organismo, e cuja origem real seus médicos não puderam conhecer bem, agravaram-se em Roma no mês de ja­neiro de 1878, e, aconselhado a voltar para a França, recolheu-se ao Convento dos Ca­puchinhos em Paris, onde morreu a 4 de julho. O Religioso que lhe serviu de enfer­meiro, em carta que foi publicada, escreveu: “Durante os três meses que passei com ele sem jamais o deixar dia e noite, nunca notei nele a menor imperfeição; nunca se queixou, nunca murmurou, nunca deu demonstrações de mau humor nem de impa­ciência; sempre calmo, resignado, contente e reconhecido a tudo o que se lhe fazia; pe­dindo a Deus sofrer ainda mais, se esta fosse a sua santa vontade, ter o seu purgatório neste mundo, perdoar seus inimigos e mor­rer pela Igreja do Brasil… Já desde quarta-feira tinha pedido e recebido os últimos sacramentos, assistindo a esta cerimônia toda a comunidade reunida. O Pe. Pro­vincial dirigiu-lhe uma tocante alocução; todo o mundo chorava, somente S. Exa. es­tava calmo e resignado. A partir deste momento permaneceu ele recolhido em Deus, não se ocupando mais o seu pensamento se­não da eternidade. O dia de quinta-feira passou assaz calmo, mas à noite pelas dez horas entrou em uma suave agonia, meia hora depois disse-me ainda algumas pala­vras que não pude compreender e às onze horas e quinze minutos extinguiu-se doce­mente e em pleno conhecimento. Acabava em um ato de adoração noturna, ao entrar da primeira sexta-feira do mês, o dia espe­cialmente consagrado ao Coração do seu amantíssimo Jesus.

Mês do Sagrado Coração de Jesus. Mons. Dr. José Basílio Pereira. Editora Mensageiro da Fé. Fortaleza. 1962. Fonte.    
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sábado, 29 de junho de 2013

Mês do Sagrado Coração de Jesus – DIA 29




 

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

(7 anos e 7 quarentenas de indulgência cada dia e uma in­dulgência plenária no fim.)

ORDEM DO EXERCÍCIO COTIDIANO


Invocação do Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor.

V. — Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. — E renovareis a face da terra.

ORAÇÃO
Deus, que esclarecestes os corações de vossos fieis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos, por esse mesmo Espírito, co­nhecer e amar o bem e gozar sempre de suas divinas consolações. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração preparatória
(100 dias de indulgência — Leão XIII, indulto de 10 de dezembro de 1885).
 
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à di­vina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos sé­culos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afe­tos e desejos, todas as minhas obras e pa­lavras. Amém.

Lê-se a intenção própria do dia, recitando em sua con­formidade um Pai Nosso, Ave Maria e Glória, e a jaculatória: Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais.

Em seguida, a Meditação correspondente ao dia e, depois, a Ladainha do Sagrado Coração.


 
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO
 Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende pie­dade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espirito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de ca­ridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as vir­tudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a ple­nitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda a conso­lação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.

ORAÇÃO
Onipotente e sempiterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

Para concluir, a seguinte fórmula de consagração 
 
Recebei, Senhor, minha liberdade in­teira. Aceitai a memória, a inteligência e a vontade do vosso servo. Tudo o que tenho ou possuo, vós mo concedestes, e eu vo-lo restituo e entrego inteiramente à vossa von­tade para que o empregueis. Dai-me só vosso amor e vossa graça, e serei bastante rico e nada mais vos solicitarei.

(300 dias de indulgência. Leão XIII, Decreto de 28 de maio de 1887).

Doce Coração de Jesus, sede meu amor.
(300 dias — Pio IX).

Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
(300 dias — Pio IX).
 

MEDITAÇÕES

 

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— IV —

Os consoladores do Coração de Jesus
 
 
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VIGÉSIMO NONO DIA


Oremos pelas almas inocentes a fim de que se con. servem puras. Pai Nosso, Ave Maria, Glória e a jaculatória: “Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais”.
Os consoladores do Coração de Jesus que estão em 4º lugar 
são as crianças devotas e inocentes

As crianças são um objeto especial de amor de Jesus; como outrora, quando vivia cá na terra, ele se compraz em vê-las junto de si… e por que isto? A criança mal sabe orar: depressa se enfastia de repetir as mesmas palavras, e quando tem dito o “Pai Nosso” e a “Ave Maria”, não vai além.

Mas alguma coisa há na criança que “ora” por ela, que “ama” por ela, que “atrai” sempre o benévolo olhar de Jesus: é a sua “inocência”. A criança diante de Jesus é um vaso de flores, que não tem cons­ciência de seu perfume, mas que o exala, embalsamando tudo em redor… Oh! Como Deus ama o coração que sabe conservar-se inocente!

“Hoje imitarei a docilidade das crian­ças e dobrarei de afeto e bondade com as pessoas de minha convivência”.

EXEMPLO

O “Comitê” das obras da Basílica de, Montmartre, no meado do ano de 1880, recebera de Samoa, no ar­quipélago dos Navegadores, com um importante do­nativo, uma carta que terminava assim: “Não nos é lícito comparar à vossa grande obra o que fazemos aqui em Samoa, país pobre; entretanto, nós também cons­truímos uma igreja que tem o nome do Sagrado Co­ração. Temos isso de bom a vos dizer de Samoa: toda ela está agregada ao Apostolado da Oração, muitos são admitidos à Comunhão reparadora “mensal”. Trazia a assinatura do Mataafa, rei de Upolu: era uma va­liosa conquista que o Sagrado Coração havia feito nas regiões da Oceania. Colocado entre a pregação dos mi­nistros protestantes e a dos sacerdotes católicos, a princípio vacilara, e dizia pesaroso: “Vós, europeus, estais nas fontes da verdade, devereis ser zelosos de conservá-la pura e ardentes em propagá-la; mas vin­des a nós, semelhantes a colunas de nuvem do deserto, ora dando a luz ora fazendo escuridão; isto nos con­funde”. Inteligente, porém. sincero e refletido, compa­rou bem as duas doutrinas, e um dia, tomando as vestes das ocasiões solenes, e empunhando o bastão he­reditário, declarou : “Chefes do séquito de Mataafa, e vós membros de sua família e seus guerreiros, desde algum tempo eu abri minha alma ao sacerdote; é che­gado o momento de manifestar-me diante de todos: Mataafa quer ser, e em breve será católico”. E con­vertido, ei-lo já feito um campeão católico, e a rebater os ataques dos protestantes contra o culto das ima­gens, dizendo-lhes na interessante linguagem dos cultos de seu país: “As imagens estão por toda a parte. Os nossos coqueiros balançam nas ondas a imagem dos seus grandes leques; o sol passeia, na flutuante su­perfície dos mares, a imagem de sua coroa de fogo. A natureza inteira não é a imagem do grande actua (Espírito) que a criou? Os livros são a imagem da palavra, que é a imagem do pensamento. A Bíblia, que vós colocais acima de tudo, o que é senão a ima­gem da palavra, do pensamento de Deus? Deixai pois, de censurar aos católicos que nos dão, com as imagens, o meio de conceber os mistérios de sua fé”.

A vida de Mataafa e a de seus filhos atesta um escritor que historiou a propagação do Evangelho em Samoa, é a de verdadeiros chefes cristãos, servido a Deus sem fraqueza e sem respeito humano. Mataafa, declarou numa ocasião solene o Cardeal Moran, arcebispo de Sidney, traz a cruz sobre a sua pele bron­zeada, e tem sob a cruz o coração de um guerreiro; ele deu provas disso, repelindo no campo de batalha, com heroísmo cristão, os invasores de seu país. Por ocasião da consagração das famílias, que se efetuou solenemente em todo o vicariato apostólico dos Nave­gadores, Mataafa, que acabara de vencer o rei vizinho Matosse, fez uma longa estação na igreja em que se realizava a cerimônia, e aí efetuou a consagração de sua “pessoa”, de sua “família”, e de seu “governo”. Ao retirar-se, pediu que se celebrassem três Missas ao Sagrado Coração pela paz de Samoa.


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CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS


Sim, Jesus, eu vos prometo recitar, to­dos os dias, uma oração ao vosso Sagrado Coração; prometo-vos venerar as piedosas imagens que o representarem à minha devo­ção; prometo-vos espalhar o conhecimento desta devoção e propagá-la.

Sede a minha fortaleza, a minha ale­gria, a minha felicidade!

“Farei um ato de consagração ao Coração de Jesus”.

Ao Coração adorável de Jesus dou e consagro o meu corpo e a minha alma, a mi­nha vida, os meus pensamentos, palavras, ações, dores e sofrimentos. Não me torna­rei a servir de parte alguma do meu ser, que não seja para o amar, honrar e glorificar.

Tomo-vos, pois, ó divino Coração, por objeto do meu amor, protetor da minha vida, âncora da minha salvação, remédio das minhas inconstâncias, reparador dos meus defeitos, e seguro asilo na hora da morte.

Ó Coração cheio de bondade, sede a minha justificação para com Deus, e apartai de mim a sua justa cólera.

Ponho em vós toda a minha confiança, porquanto receio tudo de minha fraqueza, como tudo espero de vossa bondade. Ani­quilai em mim tudo o que vos possa desa­gradar e resistir; imprimi-vos em meu coração, como um selo sagrado, para que jamais me possa esquecer de vós, e de vós ser se­parado. Isto vos peço por vossa infinita bon­dade: que o meu nome se inscreva em vós, que sois o livro da vida, e que façais de mim uma vítima consagrada inteiramente à vossa glória; que desde este momento seja eu abrasado e um dia inteiramente consumido pelas chamas do vosso amor; nisto consiste a minha dita, não tendo outra ambição se­não a de morrer em vós e por vós.

Assim seja.


 

DIA 29

A virtude perfeita de uma pequena ope­rária é a jóia que o Sagrado Coração agora nos expõe em seu preciosíssimo escrínio. Maria Husson, desde criança, conheceu e suportou paciente as privações que são como que a herança dos pobres. Quando os ban­dos de meninas, passando aos saltos e car­reiras para o vale ou a montanha, lhe grita­vam: “Vem brincar conosco, o dia está tão bonito!” — ela que devia guardar a casa, porque-seus pais tinham ido trabalhar no campo, respondia sem pesar e sem queixa: – “Eu tenho as pernas fracas para correr, e meu coração bate muito quando subo ao monte”. Entrando para a escola de Rignat ganhou depressa a estima da mestra pela sua conduta exemplar e vivo desejo de aprender, que, favorecido por uma inteli­gência clara e penetrante, lhe alcançou rá­pidos progressos. Suas próprias condiscípulas reconheciam que ela se distinguia entre todas, e não lhe queriam mal por isso. Algu­mas delas uma vez observaram entre si: “Que tem Maria que nós também não te­nhamos? Nós fazemos o que ela faz: ler, coser, estudar, ir à Missa, e o mais. Isto não é nada extraordinário; entretanto…” Uma das mais atiladas e francas acudiu en­tão: “Não há nada extraordinário nisto; mas olha, o extraordinário é fazer todas es­sas coisas do melhor modo possível, e sem­pre bem, como Maria o faz, ao passo que nós, tu sabes…!” — Maria, porém, não pen­sava em sobressair nem se julgava superior às outras; o que ela queria, só era aprovei­tar-se bem das lições recebidas, e todos os dias ia pedi-la a Jesus na igrejinha da al­deia, falando-lhe como se o visse com os seus olhos. Nas instruções do padre sobre a primeira Comunhão, ela ouviu que deviam confessar todos os pecados, mas que só era pecado o fazer voluntariamente alguma coisa proibida por Deus ou recusar-se ao que ele mandava; Maria estava quase certa de nunca ter tido essa vontade contrária a Deus, e foi o que com toda a candura acusou ao sacerdote, o qual, encantado da confis­são que ouvira, encaminhou-a contente para os braços de Jesus como um anjo terrestre. Acabado o tirocínio escolar, a fim de ganhar logo honradamente os meios de vida, por ser de compleição fraca, abraçou a profis­são de costureira que lhe proporcionava tra­balho, porém deficiente às vezes e mal re­munerado, dando-lhe, porém, ocasião de, no trato com a freguesia ou nas diligências da tarefa, aconselhar ao bem ou desviar do mal, e não poucas vezes socorrer outras ainda, mais necessitadas que ela. Para fazer tais prodígios, vestia com simplicidade e modéstia, e em sua mesa havia só o necessário para que não padecesse fome; em compensação, o seu tesouro de virtude cres­cia, e o Cura de Rignat a apontava como a melhor cristã de sua freguesia. As crianças amavam-na como a uma verdadeira mãe, e os adultos a consultavam nas mais sérias di­ficuldades, e queriam-na à sua cabeceira na hora da morte. Maria Husson começava e acabava o dia, pedindo inspirações e Forças ao Coração de Jesus, e sempre lhe parecia ouvir dele: “Avante! Sede cada vez mais humilde e delicada por amor de mim”. Mas, humilde embora, como Jesus, a meiga ope­rária teve um dia um grito de indignação contra um insolente que em lugar público insultava uma pobre jovem: “Não mereceis a honra de ser homem, pois que falais como se fôsseis um bruto!” E ele emudeceu e fugiu. Tendo-se fechado a escola infantil, Maria, sem olhar a sacrifícios, decidiu-se a restabelecê-la, ensinando ela mesma; e o fez de modo admirável e proveitoso du­rante seis anos, em que instruiu solidamente suas discípulas para os trabalhos e deveres da vida, e formou com elas uma legião de cristãs que, pelos seus cuidados e esforços, vestidas de branco, e em concertos angé­licos, solenizavam anualmente a festa da pri­meira Comunhão e a procissão de “Corpus Christi”. O abatimento das forças e as exi­gências que lhe fez o representante do en­sino oficial obrigaram-na a retirar-se da es­cola; porém, saindo logo a esmolar, co­lheu daqui e dacolá uma quantia com que pôde fornecer a duas Religiosas de Chastei a casa e o estrito necessário para que vies­sem ensinar em Rignat, adicionando ela a esse modesto cabedal tudo quanto da pró­pria mesa podia reservar. Por último, ao voltar de uma detida visita ao santo Cura d’Ars, veio a arder em um novo zelo e toda entregue à ideia de que se devia dar a Jesus em Rignat uma habitação digna, pois que a sua estava nua e arruinada, tomou a agulha e, trabalhando dia e noite, condenando-se a privações pôde fornecer, ao serviço do altar, paramentos, alfaias, ornatos, operando uma transformação ante a qual o povo dizia: “Como pode ela fazer tudo isto? Parece que Deus manda os anjos a ajudá-la; há igrejas de grandes cidades que não se ornam como a nossa”. Depois tratou da res­tauração do templo, e apelou para todos, aceitando o concurso em dinheiro, mate­riais ou dias de trabalho; ninguém ficou ocioso: enquanto os homens trabalhavam na construção, as mulheres iam ao vale bus­car água para fazer cal e a argamassa. E as­sim ergueu-se uma bela igreja gótica, mais vasta que a primeira. Coroados assim todos os seus pios desejos, chamou-a Deus a contemplá-lo em toda a sua grandeza e gozá-lo em todo o seu amor, deixando na terra natal a saudade e o exemplo de uma per­feita cristã. A um viajante, que, de passa­gem na aldeia, perguntava de quem era tão solene e comovente préstito, respondeu o Cura: “É de Maria Husson, pobre operária, que todavia foi durante mais de meio sé­culo, a Providência visível de Rignat, e a benfeitora de sua igreja, sua escola e seu povo”.   

Mês do Sagrado Coração de Jesus. Mons. Dr. José Basílio Pereira. Editora Mensageiro da Fé. Fortaleza. 1962. Fonte.    
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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Saudação à Virgem Maria

Saudação à Virgem Maria

São Francisco de Assis

(data desconhecida)



Salve ó Senhora Santa, Rainha Santíssima,
Mãe de Deus, ó Maria, 

que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo Santíssimo Pai celestial,
que vós consagrou por seu Santíssimo e dileto Filho 

e o Espírito Santo Paráclito.
Em vós residiu e reside 

toda plenitude da graça
e todo o bem.

Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó mãe do Senhor!

E salve vós todas, ó santas virtudes derramadas,
pela graça e iluminação do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis,
transformando-os de infiéis
em fiéis servos de Deus!
Amém. 





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Mês do Sagrado Coração de Jesus – DIA 28




 

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

(7 anos e 7 quarentenas de indulgência cada dia e uma in­dulgência plenária no fim.)

ORDEM DO EXERCÍCIO COTIDIANO


Invocação do Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor.

V. — Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. — E renovareis a face da terra.

ORAÇÃO
Deus, que esclarecestes os corações de vossos fieis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos, por esse mesmo Espírito, co­nhecer e amar o bem e gozar sempre de suas divinas consolações. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração preparatória
(100 dias de indulgência — Leão XIII, indulto de 10 de dezembro de 1885).
 
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à di­vina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos sé­culos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afe­tos e desejos, todas as minhas obras e pa­lavras. Amém.

Lê-se a intenção própria do dia, recitando em sua con­formidade um Pai Nosso, Ave Maria e Glória, e a jaculatória: Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais.

Em seguida, a Meditação correspondente ao dia e, depois, a Ladainha do Sagrado Coração.


 
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO
 Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende pie­dade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espirito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de ca­ridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as vir­tudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a ple­nitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda a conso­lação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.

ORAÇÃO
Onipotente e sempiterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

Para concluir, a seguinte fórmula de consagração 
 
Recebei, Senhor, minha liberdade in­teira. Aceitai a memória, a inteligência e a vontade do vosso servo. Tudo o que tenho ou possuo, vós mo concedestes, e eu vo-lo restituo e entrego inteiramente à vossa von­tade para que o empregueis. Dai-me só vosso amor e vossa graça, e serei bastante rico e nada mais vos solicitarei.

(300 dias de indulgência. Leão XIII, Decreto de 28 de maio de 1887).

Doce Coração de Jesus, sede meu amor.
(300 dias — Pio IX).

Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
(300 dias — Pio IX).
 

MEDITAÇÕES

 

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— IV —

Os consoladores do Coração de Jesus
 
 
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VIGÉSIMO OITAVO DIA


Oremos pelas pessoas que o mundo despreza, a fim de que elas suportem com paciência os seus dissabores. Pai Nosso, Ave Maria, Glória e a jaculatória: “Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais”.
Os consoladores do Coração de Jesus que estão em 3º lugar
são as almas humildes e desconhecidas, que se julgam felizes com este esquecimento

São estas almas as que, com maior per­feição, imitam a vida oculta em Nazaré sob o olhar de Maria; almas que ninguém co­nhece, em que pessoa alguma pensa e que vão acumulando todos os dias tesouros de paciência, de abnegação, de resignação, de caridade, suportando os defeitos dos outros, muitas vezes o desdém, dedicando-se por todos… e que, no fim de cada dia, sem mes­mo terem consciência do seu mérito, ofere­cem a Deus um coração imolado e puro, que consola o Coração de Jesus…

“Aplicar-me-ei, hoje, em falar pouco e em praticar ocultamente algumas ações boas”.

EXEMPLO

O “Estandarte”, jornal canadense de Montreal, em 1981 publicava: “O comandante da “Naiade”, o Sr. Almiranet de Cuverville, passou muitos dias em Montreal, onde deixou a mais favorável impressão entre todos os que tiveram a honra de o conhecer. Católico fervoroso, ele fez empenho em visitar os nossos estabelecimentos religiosos e, em várias casas, dirigiu a palavra à comunidade. Terça-feira o Sr. Arcebispo o conduzia ao Grande Seminário para lhe apresentar seu clero, que se achava em retiro: a recepção fez-se no salão do colégio, e o ilustre marinheiro pronunciou um discurso vibrante de patriotismo e amor à Igreja. A pedido do Prelado, o Snr. Almirante referiu a história da pacificação do Pe. Dorgére; depois, terminou dizendo: “Quero fazer-vos uma confidência: A devo­ção que me é cara sobre todas é a devoção do Sa­grado Coração de Jesus; devo-lhe todos os triunfos de minha carreira. Uma imagem do Sagrado Coração está fixada na proa da “Naiade”. Outra está em meu ca­marote, constantemente sob as minhas vistas. Toda sexta-feira, o capelão diz a Missa em minha câmara. Eu tenho um jornal fiel de tudo o que me sucede, e Já verifiquei que muitos acontecimentos, dos mais fe­lizes, se deram na sexta-feira, dia do Sagrado Coração. Esse jornal eu envio regularmente a Montmartre, e foi também neste santuário do Sagrado Coração que fiz depositar, como “ex-voto’, a riquíssima alabarda que foi levada em triunfo através do Dahomey em sinal do restabelecimento da paz e da proteção concedida pela França”.


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CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS


Sim, Jesus, eu vos prometo recitar, to­dos os dias, uma oração ao vosso Sagrado Coração; prometo-vos venerar as piedosas imagens que o representarem à minha devo­ção; prometo-vos espalhar o conhecimento desta devoção e propagá-la.

Sede a minha fortaleza, a minha ale­gria, a minha felicidade!

“Farei um ato de consagração ao Coração de Jesus”.

Ao Coração adorável de Jesus dou e consagro o meu corpo e a minha alma, a mi­nha vida, os meus pensamentos, palavras, ações, dores e sofrimentos. Não me torna­rei a servir de parte alguma do meu ser, que não seja para o amar, honrar e glorificar.

Tomo-vos, pois, ó divino Coração, por objeto do meu amor, protetor da minha vida, âncora da minha salvação, remédio das minhas inconstâncias, reparador dos meus defeitos, e seguro asilo na hora da morte.

Ó Coração cheio de bondade, sede a minha justificação para com Deus, e apartai de mim a sua justa cólera.

Ponho em vós toda a minha confiança, porquanto receio tudo de minha fraqueza, como tudo espero de vossa bondade. Ani­quilai em mim tudo o que vos possa desa­gradar e resistir; imprimi-vos em meu coração, como um selo sagrado, para que jamais me possa esquecer de vós, e de vós ser se­parado. Isto vos peço por vossa infinita bon­dade: que o meu nome se inscreva em vós, que sois o livro da vida, e que façais de mim uma vítima consagrada inteiramente à vossa glória; que desde este momento seja eu abrasado e um dia inteiramente consumido pelas chamas do vosso amor; nisto consiste a minha dita, não tendo outra ambição se­não a de morrer em vós e por vós.

Assim seja.


 

DIA 28

Aos incrédulos e mundanos parece in­crível que alguém queira viver peregrinando e a mendigar por amor de Deus e do pró­ximo; julgam-no desprezível e condenável como sinal de indolência e profissão de ociosidade. S. Bento José Labre o quis e praticou, de modo tal que foi para ele o mé­rito e uma glória, e a Igreja, elevando-o a seus altares, mostrou que também isto pode ser um meio de santificação, e que os infeli­zes que as vicissitudes da vida forçam a im­plorar a esmola tem no céu um patrono es­pecial para lhes ensinar a resignação às re­pulsas e à confiança na Providência. Bento Labre, educado por um tio pároco de Erin, manifestou desde cedo inclinações piedosas e capacidade intelectual que deram esperan­ças de que viesse a abraçar o sacerdócio. Reservava para os pobres o melhor de suas refeições, lho ia distribuir às ocultas; en­tre os companheiros, a uns aconselhava, a outros repreendia amigável, e reconciliava os desavindos, fazendo tudo isso tão habilmente, que o povo o chamava o “pequeno Cura”. Grassando uma peste na freguesia, ele, embora avisado pelo tio de que se deve acautelar, o acompanha sempre à visita dos enfermos, expondo-se de perto ao perigo; e toma sobre si a tarefa de alguns dos atacados, indo cuidar dos rebanhos que eles guardavam, ou carregando às costas fardos de forragem que deveriam transportar. Morrendo de peste seu tio padre, Bento Labre, logo que pôde, recolheu-se à Cartuxa de Neuville, e depois, em busca de um ins­tituto mais rigoroso, a Trapa de Sept-Fons, onde os superiores, embora edificados pela sua conduta, não o puderam conservar pela declaração dos médicos de que era muito débil para observar a Regra. Destinava-o Deus à singular função de passar entre os povos como um vivo exemplar do Divino Crucificado, lembrando aos ricos o “quid prodest?” (que se lucra?) que tantas ve­zes lhes segreda o vácuo d’alma, e fazendo ver aos indigentes que a pobreza aceita e pa­ciente é um tesouro que enriquece e alegra a alma. Com uma pobre veste, um bastão, o Crucifixo pendente ao peito e um rosário de grossas contas passado ao pescoço atra­vessou a pé extensas regiões da França, Es­panha, Itália e Alemanha, visitando os san­tuários mais notáveis, onde ficava longas ho­ras embebido na oração. Circunstantes, e quem era desconhecido, viram-no por vezes nos templos, cercado de uma auréola que mal deixava perceber numa quase escuridão os que se achavam em redor, com os olho fitos no céu e suspenso do chão. Seu pere­grinar não era nem um instante ocioso; ca­minhava, fazendo sempre o bem: aqui, a consolar um aflito; ali, a dar um conselho de salvação ou a pensar um enfermo; adiante, a obter do céu uma graça para quem o beneficiara, e, a miúdo, a repetir com seus irmãos indigentes a esmola toda que rece­bera. Numa de suas viagens, recolheu-se atacado de febre ao hospital de Paray-le-Monial, onde tanto impressionaram às Irmãs o seu aspecto penitente e atos de virtude, que elas guardaram com apreço as migalhas de pão que deixou de suas refeições; e as Religiosas da Visitação por sua vez não es­queceram nunca o êxtase fervoroso em que ele ficava longas horas no lugar das apari­ções do Salvador. Em Roma, ia frequentemente orar numa capela da igreja do Gesu, onde havia um painel do Sagrado Coração; e nas igrejas em que se fazia a adoração das “Quarenta-Horas”, pedia que o deixassem passar a noite de guarda ao Santíssimo Sa­cramento. Antes de dormir, todos os dias se consagrava ao Divino Coração dizendo: “Eu quero de toda a minha alma repousar em vossa santa graça. Este coração que me destes onde melhor o posso colocar do que no vosso? É aí que eu o deposito, é meu doce Jesus! É aí que eu quero habitar e que desejo tomar o meu descanso”. Sua vida foi “um ato contínuo de adoração”, que veio a encerrar-se com a mais suave morte numa quarta-feira santa, em que ouviu muitas Mis­sas e à leitura da Paixão se desfazia em lá­grimas e caía em delíquio. O corpo ficou insepulto até a Páscoa e se conservou flexí­vel como se estivera só adormecido, sem a mais leve exalação má. O povo afluiu em massa a contemplar e bendizer o “Santo das Quarenta-Horas” e foi um verdadeiro cortejo triunfal, mais sincero que o dos antigos Césares Romanos, o préstito para o enterramento desse mendigo que comia um pão esmolado e dormia ao relento!  

Mês do Sagrado Coração de Jesus. Mons. Dr. José Basílio Pereira. Editora Mensageiro da Fé. Fortaleza. 1962. Fonte.    
1º DIA - DIA ANTERIOR - PRÓXIMO DIA

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Dez minutos diante da imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Meu, filho, se tu soubesses o bem que te quer a Providência, conduzindo-te à minha presença! Eu sou tua Mãe e possuo imensos tesouros, com ardentíssimo desejo de reparti-los contigo. Alegra-te pois, anima-te. Que tens? Não me pareces cheio daquela alegria que tanto me apraz! Que fronte não se serena ante mim? Ah! Acorda o teu fervor, acende o teu zelo... Por que me queres mortificar não te mostrando radiante de alegria a meus pés?

Por mais graves que sejam as angústias de um pobre enfermo, ele se enche de alegrias assim que vê ao seu lado um médico que pode curá-lo... Meu filho, Eu sou o remédio de todos os males. No meio de uma borrasca os passageiros nada temem, quando têm um afoito piloto, que os tranquiliza... Por maiores que sejam os teus perigos, que temes tu, se eu navego na tua barquinha?

Mas quero que me fales das tuas enfermidades, se queres que eu seja a tua saúde; quero que me mostres os teus perigos, se desejar que te livre deles. Tem confiança em mim, ó meu filho; o meu coração abre-se para aqueles que se lançam nos meus braços, como tu em criancinha fazias com tua mãe.

Eu sou toda suavidade e doçura; chamo-me a Mãe do Perpétuo Socorro. Nunca ninguém se arrependeu de me ter comunicado os seus segredos, de me ter contado as suas desventuras, de me ter descoberto as suas chagas, de me ter revelado a sua pobreza.

Lembra-se que, nas bodas de Canaã, o meu Coração não pôde resistir aquela nuvem de confusão, que pela falta de vinho, estava a cair sobre os dois esposos...  E queres que não me enterneça na presença de negócios de maior importância? Abre-me o teu coração e deixa-te cobrir de benefícios por quem te ama.

Bem sei que vives num mundo que se tem tornado um covil de feras cruéis, que de noite e de dia armam ciladas... bem sei que as tuas paixões são vivas e ardentes, que muitas vezes te deixas iludir e cometes faltas de fidelidade ao meu Filho... mas eis-me aqui; estou pronta a ajudar-te, contanto que estejas pronto a receber os meus dons.

Mostra-me a tua mente.. Oh! Para que esses pensamentos de orgulho, de Inveja, de vaidade, de carne!... Dá-me a tua inteligência e a purificarei como ouro.

Abre-me o teu coração... De certo te atemorizas? Para que tanta indocilidade? Coragem! Ah! pobre coração! Quanto afetos o dilaceraram!... quanto pó o avilta!... quantas sombras o obscurecem!... quantas chagas o cobrem!... Dá-mo... o meu Jesus deposita em minhas mãos o seu Coração e tu hás-de duvidar fazê-lo? Elege-me, querido filho, Rainha do teu coração, e o verás mudado numa fonte de felicidade para ti.

Diz-me agora: como regulas o teu exterior? como velas sobre as tuas palavras? como guardas os teus ouvidos?... como te regulas em toda a tua pessoa?... Essa vergonha que sentes no interior é uma resposta eloquentíssima...

Não desanimes, meu filho; se o teu interior estiver nas minhas mãos, o teu exterior se tornará santo e precioso. Prometes-me pôr mães a obra? Que respondes? Ah! Não me dês uma negativa, que para mim seria muito amarga! Não queiras aviltar-te... Eu estarei sempre contigo...farei planos todos os teus caminhos, tornarei fácil o que é difícil. Coragem, meu bravo, levanta-te e caminha comigo pelas nobre sendas da virtude cristã.

Filho, volta muitas vezes a meus pés...enamora-te das minha lições, deixa-te guiar por mim, e nunca mais acontecerá que ponhas o pé em falso e que percas o reino dos céus.

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Oração à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

27 DE JUNHO

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


Oração para o dia 27 de junho ou a qualquer tempo 





Ó Mãe do Perpétuo Socorro, graças a este vosso nome, o meu coração transborda de confiança em Vós. 

Eis-me aos vossos pés, venho expor-Vos todas as necessidades da minha vida e morte; venho chamar sobre todas estas misérias o vosso maternal socorro; dignai-Vos escutar-me lá do Céu, e dai-me favorável despacho, ó minha Mãe!

Em todas as minhas dificuldades e penas, vinde em meu socorro, ó caridosa Mãe!

No momento perigoso da tentação, ...

Quando tiver a desgraça de cair no pecado, para que me levanteis, ...

Se algum laço funesto me encadeia ao serviço do demônio, para que eu possa rompê-lo, ...

Se vivo na tibieza, para que Jesus Cristo não me vomite da sua boca, ...

Quando for negligente em recorrer a Vós, para que logo Vos invoque, ...

Para receber dignamente os sacramentos, ...

Em todos os exercícios dum cristão fervoroso, e sobretudo na oração e meditação, ...

Para que eu conserve ou recobre a castidade, ...

Para que adquira a humildade, ...

Para que alcance amar a Deus de todo o meu coração, ...

Para que, pelo amor para com Deus, me conforme em tudo com a sua santa vontade, ...

Para que cumpra fielmente os deveres do meu estado, ...

Quando a enfermidade afligir meu corpo e abater minha alma, ...

Quando a angústia e a tristeza se apoderarem de mim, ...

Se Deus me sujeita ao tormento das penas interiores, ...

Se a Providência me prova pela pobreza ou reveses da fortuna, ...

Se encontro na minha própria família motivo de dor, ...

Quando for humilhado, contrariado, maltratado, ...

Para que obtenha a conservação e conforto dos que me são caros, ...

Para que alcance a libertação das almas do Purgatório, ...

Para que coopere na salvação dos pecadores, ...

Para que obtenha a graça da perseverança final, ...

Quando me vier a última enfermidade, ...

No meu último suspiro, ...

Quando aparecer ante o vosso Filho que há de ser o meu Juiz, ...

Quando estiver no Purgatório, ...

Em todo tempo e lugar, ...

Para que Vos sirva, ame e invoque sempre, ...

Para que Vos faça amar e servir por muitos cristãos, ...

Louvada, amada, invocada, bendita eternamente sejais, ó Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, minha esperança, meu amor, minha Mãe, minha felicidade e vida minha. Assim seja.






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Maria, meu auxílio e proteção

Auxiliatrix mea et Protectrix mea es

de Santo Efrém, o Sírio



Domina Laudabilissima, atque Optima,
Misericordia Fons,
Bonitatis Abyssus,
Aqua Viva,
Peccantium Patrona,
Fluctuantium Portus,
Vitis Vera,
Vas continens manna,
Cadentium Correctio,
Cunctorum Refugium,
Totiusque mundi Vita,
Immaculatissima,
Gloriosissima,
Beneficentissima mea,
Honorabilis magis quam Cherubim,
Apostolorum Exultatio,
Martyrum Praedicatio,
Sanctorum Gaudium,
Altare aureum,
Arca vera,
Rubus incombustus:
Salve, Mater Christi,
quem decet gloria et honor,
adoratio et hymnus,
nunc, et semper, et ubique.
Amen, in saecula saeculorum.


TRADUÇÃO


Senhora Laudabilíssima e Ótima,
Fonte da Misericórdia,
Abismo de Bondade,
Água Viva,
Advogada dos que pecam,
Porto dos que vacilam,
Videira Verdadeira,
Vaso de Maná,
Correção dos que caem,
Refúgio de todos,
Vida de todo o mundo,
Imaculadíssima,
Gloriosíssima,
Minha grande benfeitora,
Mais honorável que os Querubins,
Alegria dos Apóstolos,
Pregação dos Mártires,
Alegria dos Santos,
Altar de ouro,
Arca Verdadeira,
Sarça ardente que não queima:
Salve, Mãe de Cristo,
A quem são devidos glória e honra,
adoração e louvor,
agora, e sempre, e em todos os lugares.
Amém, pelos séculos dos séculos.

Composta de diferentes orações para a Santíssima Mãe de Deus, por Santo Efrém, o Sírio.

Tradução: Giulia d'Amore di Ugento
Fonte: http://rorate-caeli.blogspot.com/2011/05/auxiliatrix-mea-et-protectrix-mea-es.html
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Mês do Sagrado Coração de Jesus – DIA 27




 

MÊS DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

(7 anos e 7 quarentenas de indulgência cada dia e uma in­dulgência plenária no fim.)

ORDEM DO EXERCÍCIO COTIDIANO


Invocação do Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor.

V. — Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R. — E renovareis a face da terra.

ORAÇÃO
Deus, que esclarecestes os corações de vossos fieis com as luzes do Espírito Santo, concedei-nos, por esse mesmo Espírito, co­nhecer e amar o bem e gozar sempre de suas divinas consolações. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.

Oração preparatória
(100 dias de indulgência — Leão XIII, indulto de 10 de dezembro de 1885).
 
Senhor Jesus Cristo, unindo-me à di­vina intenção com que na terra pelo vosso Coração Sacratíssimo rendestes louvores a Deus e ainda agora os rendeis de contínuo e em todo o mundo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia até a consumação dos sé­culos, eu vos ofereço por este dia inteiro, sem exceção de um instante, à imitação do Sagrado Coração da Bem aventurada Maria sempre Virgem Imaculada, todas as minhas intenções e pensamentos, todos os meus afe­tos e desejos, todas as minhas obras e pa­lavras. Amém.

Lê-se a intenção própria do dia, recitando em sua con­formidade um Pai Nosso, Ave Maria e Glória, e a jaculatória: Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais.

Em seguida, a Meditação correspondente ao dia e, depois, a Ladainha do Sagrado Coração.


 
LADAINHA DO SAGRADO CORAÇÃO
 Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende pie­dade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, formado pelo Espirito Santo no seio da Virgem Mãe, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de majestade infinita, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, templo santo de Deus, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do céu, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fornalha ardente de ca­ridade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e amor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, abismo de todas as vir­tudes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual habita toda a ple­nitude da divindade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, no qual o Pai celeste põe as suas complacências, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, de cuja plenitude nós todos participamos, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, paciente e misericordioso, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, rico para todos os que vos invocam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, propiciação para os nossos pecados, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, saturado de opróbios, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atribulado por causa de nossos crimes, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, feito obediente até a morte, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, atravessado pela lança, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, fonte de toda a conso­lação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, vítima dos pecadores, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, salvação dos que em vós esperam, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, esperança dos que em vós expiram, tende piedade de nós.
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.

V. — Jesus, manso e humilde de coração,
R. — Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.

ORAÇÃO
Onipotente e sempiterno Deus, olhai para o Coração de vosso diletíssimo Filho e para os louvores e satisfações que ele vos tributa em nome dos pecadores, e àqueles que invocam vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina juntamente com o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

Para concluir, a seguinte fórmula de consagração 
 
Recebei, Senhor, minha liberdade in­teira. Aceitai a memória, a inteligência e a vontade do vosso servo. Tudo o que tenho ou possuo, vós mo concedestes, e eu vo-lo restituo e entrego inteiramente à vossa von­tade para que o empregueis. Dai-me só vosso amor e vossa graça, e serei bastante rico e nada mais vos solicitarei.

(300 dias de indulgência. Leão XIII, Decreto de 28 de maio de 1887).

Doce Coração de Jesus, sede meu amor.
(300 dias — Pio IX).

Doce Coração de Maria, sede a minha salvação.
(300 dias — Pio IX).
 

MEDITAÇÕES

 

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— IV —

Os consoladores do Coração de Jesus
 
 
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VIGÉSIMO SÉTIMO DIA


Oremos pelos enfermos desamparados. Pai Nosso, Ave Maria, Glória e a jaculatória: “Coração de Jesus, que tanto nos amais, fazei que vos amemos cada dia mais”.
Os segundos consoladores do Coração de Jesus
são as almas que sofrem pacientemente

Oh! Como uma alma paciente em seus sofrimentos físicos ou morais consola o Co­ração de Jesus!

“Ela sofre”, mas bem sabe que o seu sofrimento vem de Deus… e submete-se com amor, resigna-se com a maior confiança! “Sofre” e por isso compreende mais viva­mente as dores de Jesus, — e oferece as suas em compensação e consola seu Divino Mes­tre com maior sinceridade. “Sofre”; condoer-se-á, pois, com mais comiseração do seu próximo; nunca se é tão compassivo como depois de se haver sofrido com pa­ciência! Quanta virtude nessas almas!

“Não me lastimarei quando Deus me enviar algum sofrimento”.

EXEMPLO

Mons. Ségur, um dos mais ilustres e valorosos apóstolos da Igreja de França, foi também um fervorosís­simo devoto do Sagrado Coração. Nas muitas obras ca­tólicas que fundou e dirigiu, em suas pregações que eram incessantes, nos 70 opúsculos e livros que publicou sobre assuntos variadíssimos, a devoção ao Coração de Jesus ocupou sempre o seu pensamento e a sua palavra, e dela fez ardente propaganda o novo sacerdote. Salienta-o, porém, e glorifica sobretudo um traço característico dos perfeitos devotos do Sagrado Coração: o amor às cruzes da vida, a resignação ao sofrimento. Em sua primeira Missa, à hora da elevação, Gastão de Ségur pediu a Maria Santíssima que lhe con­cedesse uma enfermidade, cruciante, mas que lhe não tolhesse o exercício do ministério: queria ter um lugar ao pé da cruz do Divino Mestre. Quando perdeu um dos olhos, exclamou: “A Santa Virgem mandou-o para o Purgatório, para lá fazer as minhas vezes”. Aos 34 anos de idade, cegando de todo, disse a um amigo: “Pedi ao Senhor que eu carregue dignamente sua santa cruz. Já não correrei mais. Ganham com isto os grandes pecadores, que terão menos acanhamento em confessar-se a quem lhes não vê um traço.” Foi instado a tentar a cura, que Nélaton lhe prometia, e sujeitou-se à baldada operação, fazendo o sinal da cruz e dizendo calmo: “Como Deus quiser”. Aconselharam-lhe que recorresse às orações de pessoas santas, e à virtude de imagens milagrosas: obedeceu muito dócil e buscou o venerando cura d’Ars, e M. Depont, o devoto da “Santa Face”. O santo homem de Tours dizia a Mons. Ségur: Não é fácil obter de Deus uma graça corporal, quando não se pede na forma do postulante do Evangelho: “Domine, fac ut videam— Senhor, fazei que veja”. O piedoso sacerdote, porém, não pôde conformar-se a dizer outra coisa, senão a pa­lavra do Padre Nosso: “Faça.se a vossa vontade”. Fa­lhando também todos os pios recursos, Mons. Ségur aceitou por toda a vida a cegueira, bendizendo-a. To­davia, o Sagrado Coração, conservando-o preso à cruz, dava-lhe a virtude de comunicar a outros sua edificante resignação: o Jovem cego Afonso Landais, de irritadiço, turbulento e mau, se tornava, com as suas exortações, um exemplo de paciência e bondade Mons. Ségur foi mesmo favorecido com a graça de curar a um cego, e assim aconteceu no ano de 1869, com um menino Felix Garê, em Lorient: sul tia o levou à presença de Mons. Ségur para que o abençoasse, confiando em que isto o curaria. Monsenhor pôs-se quase de joelhos para se aproximar dele, abraçou-o carinhoso e o abençoou com um grande sinal da cruz. Na manhã seguinte, quan­do a tia de Felix entrou no quarto deste, para levar, lhe o seu chocolate, e lho quis dar por suas mãos, ele c desviou, docemente, dizendo: “Que faz, minha tia? eu a vejo bem, meus olhos estão curados! E, em vez de que a cegueira de Mons. Ségur lhe encurtasse em nada o exercício de seu santo ministério, este se manifestava, até o fim, tão ativo, contínuo e prodi­gioso, que a maioria dos operários da vinha do Senhor poderiam, sem nenhum desdouro, dizer dele com o santo cura d’Ars: Eis um cego que vê mais claro que nós.


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CONSAGRAÇÃO AO CORAÇÃO DE JESUS


Sim, Jesus, eu vos prometo recitar, to­dos os dias, uma oração ao vosso Sagrado Coração; prometo-vos venerar as piedosas imagens que o representarem à minha devo­ção; prometo-vos espalhar o conhecimento desta devoção e propagá-la.

Sede a minha fortaleza, a minha ale­gria, a minha felicidade!

“Farei um ato de consagração ao Coração de Jesus”.

Ao Coração adorável de Jesus dou e consagro o meu corpo e a minha alma, a mi­nha vida, os meus pensamentos, palavras, ações, dores e sofrimentos. Não me torna­rei a servir de parte alguma do meu ser, que não seja para o amar, honrar e glorificar.

Tomo-vos, pois, ó divino Coração, por objeto do meu amor, protetor da minha vida, âncora da minha salvação, remédio das minhas inconstâncias, reparador dos meus defeitos, e seguro asilo na hora da morte.

Ó Coração cheio de bondade, sede a minha justificação para com Deus, e apartai de mim a sua justa cólera.

Ponho em vós toda a minha confiança, porquanto receio tudo de minha fraqueza, como tudo espero de vossa bondade. Ani­quilai em mim tudo o que vos possa desa­gradar e resistir; imprimi-vos em meu coração, como um selo sagrado, para que jamais me possa esquecer de vós, e de vós ser se­parado. Isto vos peço por vossa infinita bon­dade: que o meu nome se inscreva em vós, que sois o livro da vida, e que façais de mim uma vítima consagrada inteiramente à vossa glória; que desde este momento seja eu abrasado e um dia inteiramente consumido pelas chamas do vosso amor; nisto consiste a minha dita, não tendo outra ambição se­não a de morrer em vós e por vós.

Assim seja.
 

DIA 27

O Dr. Agostinho Fabre foi um médico ilustre pelo saber, por sua corajosa fé cristã e pela extrema caridade com que exerceu sua profissão. Filho de um rico negociante, ele teve a fortuna como um bem secundário e do qual devia aplicar sempre às boas obras o supérfluo: indo fazer em Paris os estudos superiores, mobiliou tão modestamente os seus aposentos, que sua própria mãe, ao visitá-lo, o estranhou ; e empregava em es­molas uma boa parte da pensão que recebia. Ainda estudante, alistou-se nas Confe­rências de S. Vicente de Paula, distinguindo-se entre os mais zelosos de seus membros, e numa prova pública do tirocínio acadêmico sustentou a sua crença na Providência Di­vina, sem nenhum temor dos ouvintes e juízes eivados do materialismo e que se lhe mostravam hostis. Aos 28 anos era profes­sor, e com o brilho e vigor de suas lições prendia os discípulos, como escreveu um de­les, fazendo conhecido seu nome na Europa e citadas com apreço as suas obras nas prin­cipais revistas médicas. Mas, ao contrário dos que desprezam tudo o que não podem trazer para o campo de suas observações de modo a analisá-lo e decompô-lo, Agostinho Fabre via a reger e presidir o universo uma causa suprema que lhe explicava o equilí­brio e a harmonia dos seres, e queria “a ciência esclarecida pela fé e Deus glorificado pela ciência”. No exercício da medicina tanto o caracterizava o desinteresse unido à generosidade, que vulgarmente o chama­vam o “médico dos pobres”, tinha para to­dos estes um dia da semana, e era certo vê-los apinhados na rua a esperarem a sua vez da consulta, na qual lhes dava com a receita o dinheiro para a botica e o mais necessário. Acudia aos enfermos com verdadeiro carinho, dirigindo-lhes palavras de conforto, lendo-lhes às vezes uma página da “Imita­ção de Cristo”, e prestando-lhes qualquer serviço preciso na ocasião. “Eu tomarei os remédios que indicais, disse-lhe um dia uma doente, porque sois um santo”. O bom dou­tor sorriu, e, voltando-se para o berço onde dormia uma criança, inclinou-se, beijou-a na fronte, e respondeu: “Eis o santo, aquele que nunca ofendeu a Deus”. Católico de ideias e obras, Fabre foi quem promoveu em Marselha a organização da “Liga do Co­ração de Jesus”, e com tanto zelo e êxito, que em poucos meses, no ano de 1874, a diocese enviava a Paray-le-Monial uma peregrinação levando rica oferenda simbólica em que iam inscritos os nomes dos primei­ros 50 mil associados da “Liga”. Instituiu também a obra da “Adoração noturna” da quinta para a sexta-feira, sendo o primeiro a apresentar-se: foi proposto que lhe cou­besse a primeira hora para que pudesse re­pousar dos labores do dia, mas recusou-o e quis que se fizesse por sorte a distribuição das horas e qualquer que fosse a sua, ficava até a hora da Missa que encerrava o exer­cício. Quando a perseguição religiosa quis fechar o santuário e hospício de Notre Dame de la Garde ele como administrador invocou a lei contra o atentado e deitou-se de tra­vés, na porta do corredor: os dois comis­sários passariam sobre seu corpo, mas os agentes da polícia recuaram. Anunciando-se que seria punido, os alunos da escola mé­dica, “sem distinção de opiniões”, protesta­ram na imprensa, e no primeiro dia de aula receberam-no com brilhante ovação. A um amigo que o aconselhava a poupar-se, res­pondeu: “Eu descansarei no céu”. Na lida, à cabeceira de um enfermo, sentiu os pri­meiros sintomas da morte, e voltou pressuroso a casa, mandou chamar o cura para lhe administrar os sacramentos, despediu-se da esposa, confortando-a, e teve ainda nessa hora extrema um pensamento para os po­bres, pedindo que mandassem levar a certa pessoa, que indicou, uma quantia que lhe prometera. À hora em que morria, um agente policial batia à porta, acompanhado de uma mulher que clamava: “Digam que é para um pobre, que é certo ele vir”. Ao ouvir que o Dr. Fabre estava à morte, o agente disse comovido: Só assim é que a um pobre ele não acudiria”. Nesse mesmo dia, celebrava-se na igreja de S. José a assembleia anual do “Comitê católico”, e o lu­gar do Dr. Fabre, um dos primeiros, estava ali vazio; o Cardeal Perraud assinalava-o com lágrimas, dizendo: “Esta manhã, Mar­selha foi fulminada por nova consternadora: o Dr. Fabre morreu; o amigo dos pobres, o sustentáculo de todas as Obras que inte­ressam a Igreja e as almas. A grande ora­ção fúnebre desse cristão será feita pelo pranto dos pobres, pela saudade de todos, e por essa revelação que segue a morte e que nos deixa entrever as eternas recompensas das virtudes cristãs”. 

Mês do Sagrado Coração de Jesus. Mons. Dr. José Basílio Pereira. Editora Mensageiro da Fé. Fortaleza. 1962. Fonte.    
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